quinta-feira, 26 de maio de 2016

Sobre empatia, medo e violência

E o dia hoje foi daqueles pesados.

A gente acorda e é bombardeada pelas informações do estupro da jovem no Rio de Janeiro. Trinta e três homens se acharam no direito de se aproveitar de uma mulher inconsciente. Trinta e três homens acharam que seria legal postar isto na internet e trinta e três homens acharam o que fizeram uma atitude normal.

Além destes trinta e três homens ainda somos obrigados a ler os comentários de outros muitos Joãos e Josés e Marias dizendo que ela mereceu. "Olha só onde ela estava", "Uma drogada", "Já tem até filho". Confesso que a um tempo atrás faria parte deste time, que julga a vítima e arranja motivos para culpá-la, mas percebi que nada dá motivos para o estupro ser realizado e nada transfere a culpa pra vítima.

Me dói saber que é mais fácil ensinar nossas garotas a "se darem valor" do que nossos garotos a respeitarem as mulheres e aceitarem um não. Me dói saber que todas nós saímos na rua com medo de sermos atacadas. Me dói saber que nossas meninas são vistas como objetos desde cedo, mas me dói ainda mais não ver isso mudar.

Não me venha com o papo de que se você for uma mulher "direita", não usar roupas vulgares, não ficar bêbada não será estuprada. Os homens não vêem uma história nas mulheres que atacam vêem apenas um objeto que eles desejam. Não importa se você está vindo da escola ou indo pra balada, não importa se é casada ou adora um sexo casual. Eles só estão vendo seu corpo!!

Quero mais é que esta nova geração de mulheres seja unida e lute contra isso, grite aos quatro ventos quando algo acontecer com elas e não se cale como as gerações passadas. Quero mais é que todos vejam a realidade é se forem taxadas de loucas, saibam que são sim, loucas pelo direito de viver com dignidade, loucas pelo direito de se divertirem sem risco, loucas pelo direito de ir e vir.

Quero que no futuro quando perguntadas sobre qual o seu maior medo ao andar sozinhas elas não respondam ser estupradas.

Qual o seu maior medo? O meu ainda é ser estuprada.